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Little John

 

      Alf disse a John que ele devia escolher entre ir com mamãe ou ficar com papai. Se alguém quisesse rachar uma criança ao meio, não havia melhor maneira. john aproximou-se de Alf e tomou sua mãe; então, quando Julia se virou de novo ele entrou em pânico e correu atrás dela, gritando para que esperasse e gritando ao pai para que viesse também. Mas, paralisado uma vez mais por sua autocomiseração fatalista, Alf ficou grudado na cadeira. Julia e John deixaram a casa e desapareceram entre a multidão em férias.

    Naquela noite, os bondosos pais de Billy Hall tentaram animar Alf levando-o ao pub The Cherry Tree e persuadindo-o a fazer seu número de imitação de Al Jolson para os frequentadores do bar. A canção muitíssimo adequada que ele escolheu foi “Little Pal”, um tributo a um angélico filhinho, aconchegado num quarto de criança fofo e seguro, enquanto seu pai fiel o observava com adoração. Em vez de “Little Pal”, em cada verso Alf cantava “Little John”. Lágrimas escorriam por seu rosto, mas  sempre profissional  cantou a canção até o fim, em meio a uma avalanche de palmas e assobios. Ao contrário do “amiguinho” de quem havia desistido, Alf Lennon nunca consideraria as multidões opressivas, nem o aplauso exaustivo.

                                 John Lennon: a vida – Philip Norman

 

Duplipensar

 

 

Ele continuou a ler:

Os objetivos desses três grupos são inteiramente irreconciliáveis. O objetivo da Alta é ficar onde está. O da Média é trocar de lugar com a Alta. E o objetivo da Baixa, quando tem objetivo – pois é característica constante da Baixa viver tão esmagada pela monotonia do trabalho cotidiano que só intermitentemente tem conciênca do que exite fora de sua vida – é abolir todas as distinções e criar uma sociedade em que todos sejam iguais. Assim, por toda a história, trava-se repetidamente uma luta que é a mesma em seus traços gerais. Por longos períodos a Alta parece firme no poder, porém mais cedo ou mais tarde chega um momento em que, ou perde a fé em si própria ou sua capacidade de governar com eficiência, ou ambas. É então derrubada pela Média, que atrai a Baixa ao seu lado, fingindo lutar pela liberdade e a justiça. Assim que alcança sua meta, a Média joga a Baixa na sua velha posição servil e tranforma-se em Alta. Dentro em breve uma nova classe Média se separa dos outros grupos, de um deles ou de ambos, e a luta recomeça. Das três classes, só a Baixa nunca consegue nem êxito temporário na obtenção dos seus ideais. Seria exagero dizer que não se registra na história progresso material. Mesmo hoje, neste período de declínio, o ser humano comum é fisicamente melhor do que há alguns séculos. Mas nenhum progresso em riqueza, nenhuma suavização de maneiras, nenhuma reforma ou revolução jamais aproximou um milímetro a igualdade humana. Do ponto de vista da Baixa, nenhuma modificação histórica significou mais do que uma mudança de nome dos amos.

                                                                                                                                                                                                     1984 – George Orwell

 

 

Esse livro do espanhol Carlos Ruiz Zafón poderia ter sido escrito na mesmo época que os grandes clássicos do séc. XIX, ele trás traços dos grandes romances, como o ar sombrio e misterioso como o Noite na Taverna do autor Álvares de Azevedo, com um incrível ambiente retratado, o qual eu sou suspeita para falar porque se trata de uma lojinha de livros raros, uma cidade bonita, mas marcada pela guerra, um cemitério de livros e uma menino dando (quase que) a vida para desvendar o mistério por trás de um livro no meio de tantos outros.

A Sombra do Vento trás a tona o ar de uma cidade em guerra, sombria e cheia de segredos. No cemitério dos livros cada coluna, cada estante, esconde uma história, livros esquecidos que aguardam sua retirada. Daniel que retirou um desses livros, que estava dentre tantos outros.

Após a leitura do livro, Daniel fascinado, procurou outros livros do mesmo autor Julian Carax, e é neste instante que a história realmente começa, ao procurar pelo autor desconhecido por todos, começa a ser perseguido e advertido por um homem de rosto desfigurado, sempre cheirando a fumaça e trazendo consigo incêndios misteriosos.

Aos poucos o menino que apenas escolheu um livro aleatoriamente começa a transformar sua vida: se apaixona por uma linda mulher cega, sobrinha de um homem que lhe ofereceu muito dinheiro pelo livro misterioso e raro, a mesma mulher o faz ter sua primeira desilusão, e sem querer, faz com que ele encontre um amigo para a vida toda, um mendigo de quem ninguém sabe a origem, mas todos acabam confiando…

Não poderia deixar de postar esse livro aqui como dica pelos seguintes fatos:

• Seria uma injustiça com todo bom leitor, privá-lo de ler um livro que demonstre um personagem que o entenderia como ninguém (muito mais do que sua própria mãe, rs): o leitor que depois de se apaixonar por um livro vai em busca de outros com uma determinação desconhecida.

• Com tantos livros tentando criar (em vão): um ar misterioso, cenas que dão aquela sensação de que se parar de ler exatamente naquela página, vai perder a melhor cena do livro que COM CERTEZA está na página seguinte, e decepcionando sempre o frágil coração do leitor, um livro que finalmente consegue esse feito, merece sem dúvida um post especial.

• A descrição do cemitério de livros feita por qualquer pessoa nunca lhe trará a exata imagem que o autor vai mostrando aos poucos, leia e você concordará comigo.

• Esse último tópico mesmo desnecessário gostaria de escrever: você deveria ler esse livro, porque nenhum bom livro, como este, deve ficar esquecido numa estante como os do cemitério dos livros…

Who are you?

“Who are you?“ said the Caterpillar.

This was not an encouraging opening for a conversation. Alice replied, rather shyly: “I-I hardly know, Sir, just at present – at least I know who I was when I got up this morning, but I think I must have been changed several times since then”.

“What do you mean by that?” said the Caterpillar, sternly. “Explain yourself!”

“I ca’n't explain myself, I’m afraid , Sir,”  said Alice, “because I’m not myself, you see”.

 

Alice’s Adventures in Wonderland - Lewis Carroll

E por que não?

Por que não aproveitar o prazer de uma vez? Quão frequentemente a felicidade é destruída por tolos preparativos! 

Jane Austen.

Livro.

“Um livro aberto é um cérebro que fala; 
Fechado, um amigo que espera; 
Esquecido, uma alma que perdoa; 
Destruído, um coração que chora”.

Voltaire

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